10 janeiro 2013

O telhado e a lua



Ele me encontrou sentada na beira da rua olhando para a lua, sentou ao meu lado e ficou ali sem dizer nada, apenas olhou pra lua também. Quando estava prestes a segurar sua mãe, ele desapareceu, sumiu, foi embora com o vento, num piscar de olhos. Então voltei a olhar para o céu, e comecei a lembrar de quando eramos só nós dois nas noites de lua cheia, nas noites calmas, eramos só nós dois no telhado de uma casa velha da nossa rua. Ali era o nosso refugio, onde se um tivesse o outro ninguém mais importava, pois com as mãos dadas, os olhos fechados, nós viajávamos, íamos para um mundo em que só eu e ele existia, onde tudo era perfeito, ou melhor, onde tudo era ainda mais perfeito. Lembranças assim me fazem feliz, do mesmo mode que também me deixa triste, afinal de contas, hoje em dia só me restaram lembranças. Quando me dou conta, ali está ele outra vez, dessa vez parece está triste, então, pergunto porque a tristeza, ele então estende sua mão para mim, e eu novamente seguro. E outra vez, ele se vai como o vento. Volto olhar para a lua, e começo a chorar, grito seu nome, ele não aparece, aumento o tom de voz, grito cada vez mais forte e ele surge novamente.

Com um sorriso bobo, o mesmo sorriso que ele dava quando me chamava de boba ou maluca. Mas, do nada, o sorriso desaparece e sem conseguir dizer se quer uma palavra, ele me olha nos olhos, e deixa uma lágrima cair. Me olhou estranho, e fez sinal de adeus. Eu não o escutei dizer nada, mas eu sei oque aquela lágrima significava. Sussurrei baixinho que eu também ia sentir sua fala. Então, com o coração em pedaços, olhei para cima e nunca desejei tanto uma coisa como eu desejei ser convidada outra vez para ver as estrelas do telhado de uma casa velha.

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